Oi, mamãe.
Aqui é a Luluca.
Antes de tudo: feliz dia das mães.
Tu é. Tu é demais.
Lembra do primeiro dia que eu te vi?
"Ela é vermelhinha!" — gritou a médica.
Igualzinha à minha mãe.
E eu já sabia que ia ser a gente.
Esse ano foi muito doido, né?
Lembra quando eu caí da cama?
Tu chorou tanto.
A culpa não era tua, mãe.
Lembra do Chile?
Quatro mesinhos no teu colo,
do outro lado do mundo.
E Noronha?
O pai me contou que tu chorava de saudade.
Saber que alguém sente tua falta assim
é a coisa mais gostosa do
mundo.
· · ·
Mãe, tem coisas que eu quero que tu saiba.
Eu sei que tu acorda várias vezes na noite.
Sei que tu me dá tetê de madrugada
com os olhos quase fechados.
E mesmo assim tem energia pra mim.
Toda vez. Sem falhar uma.
Tu lê o Hipopótamo Hugo no banho.
Canta os Patinhos quando eu choro.
Tua voz é minha casa, mãe.
Lembra da praia do Rosa?
Oito horas de carro no teu colo.
Eu não queria a cadeirinha de jeito nenhum.
Porque o teu colo é
o lugar mais seguro do mundo.
E eu ainda vou querer ele
quando eu tiver 5, 15, 30 anos.
Pode guardar.
· · ·
Mãe,
se eu pudesse dizer uma coisa hoje,
com todas as palavras
que ainda vou aprender,
obrigada por ser minha mãe.
Tu é a coisa mais linda
que eu já vi na vida.
E olha que eu já vi o Chile.
Te amo, mãe.
Pra sempre.
Da tua,
Luluca